Caracterização Geral

O conjunto dos Aproveitamentos Hidroagrícolas de Silves, Lagoa e Portimão (AHSLP) e da Várzea do Benaciate (AHVB) constituem dois dos principais sistemas de regadio público do Barlavento Algarvio, estando o AHSLP integrado na bacia hidrográfica das Ribeiras do Algarve (RH8) e o AHVB adjacente ao sistema aquífero de Querença – Silves. Ambos, estão sob a gestão da Associação de Regantes e Beneficiários de Silves, Lagoa e Portimão (ARBSLP).

Estes aproveitamentos, de fins agrícolas, destinam-se prioritariamente à rega agrícola, contribuindo também para o « abastecimento industrial e para a estabilização ambiental das várzeas do baixo Arade e de Odelouca.

Aproveitamento Hidroagrícola de Silves, Lagoa e Portimão - AHSLP

A obra do Aproveitamento Hidroagrícola de Silves, Lagoa e Portimão resultou da necessidade de garantir água em quantidade e qualidade para as zonas agrícolas mais férteis da região, marcadas pelas várzeas aluvionares do Arade e do Odelouca.
A construção decorreu entre 1944 e 1956, abrangendo áreas agrícolas nos concelhos de Silves (1458 ha), Lagoa (704 ha) e Portimão (138 ha). A área beneficiada foi progressivamente atualizada: inicialmente com 1900 hectares, passando a 2370 ha em 1974 e estabilizando em 2300 ha a partir de 1982 — correspondendo a 1155 ha no Bloco de Silves e 1145 ha no Bloco de Lagoa.

A exploração da obra iniciou-se em 1956 pela Direção-Geral dos Serviços Hidráulicos, sendo transferida para a Associação de Regantes e Beneficiários de Silves, Lagoa e Portimão em 1959, entidade criada por alvará de 27 de novembro de 1951, que desde então assegura a sua gestão, manutenção e modernização. Atualmente, o sistema beneficia cerca de xxx agricultores.

A fonte de abastecimento principal é a albufeira do Arade, situada na ribeira homónima. A Barragem do Arade, construída em aterro com núcleo argiloso, apresenta 42,5 m de altura, 246m de coroamento e uma capacidade útil de 26,7 hm³, com bacia hidrográfica de 229 km².

Os solos dominantes são Aluviossolos Modernos (A), Solos Salinos de salinidade moderada (As) e, em zonas do Barrocal, Solos Calcários e Mediterrânicos (Aac, Atac, Sr). A aptidão agrícola é elevada, com vocação para citrinos, pomares, hortícolas e vinha.

Em 2006, a ARBSLP promoveu o Projeto de Reabilitação e Modernização da Rede de Rega do Bloco de Silves, concluído nesse mesmo ano.
Em 2012, a ARBSLP solicitou à equipa projetista (TPF – Consultores de Engenharia e Arquitetura, S.A.) a revisão do Sub-Bloco 1, porque entretanto se verificaram alterações significativas no uso dos terrenos e na configuração hidráulica prevista.

Estudos realizados permitiram identificar fenómenos de salinização localizada nas várzeas baixas de Silves, relacionados com práticas de captação subterrânea e drenagem deficiente, bem como o efeito predominante das marés perante o caudal natural do rio Arade.

No âmbito do aproveitamento foram instaladas (em que anos?) três centrais hidroelétricas — Arade, Pinheiro e Vila Fria das quais nenhuma está operacional à data.

A modernização das infraestruturas hidráulicas em Lagoa deu-se com Projeto de Execução de Reabilitação e Modernização da Rede de Rega do Bloco de Lagoa, que abrangeu os sub blocos de Vila Fria, Lagoa e Quinta da Vala – Alagoas.

Estas intervenções tiveram como objetivos aumentar a eficiência hídrica e energética, reduzir perdas na adução e distribuição e possibilitar a integração de um eventual sistema de telegestão e automatização. Foram estudadas alternativas técnicas que culminaram na implementação de sistemas sob pressão, garantindo pressões mínimas de serviço adequadas à rega localizada (3,5–4 bar). O dimensionamento hidráulico foi realizado pelo método de Clément, assegurando uniformidade e otimização do regime de pressões. A rede foi executada com tubagem de PVC (PN10/PN16) e ferro fundido dúctil, e equipada com válvulas de seccionamento, ventosas, descargas de fundo e hidrantes múltiplos.

Em Lagoa, as estações elevatórias de Vila Fria e Lagoa e o Reservatório de Regularização de Vila Fria constituem o núcleo do sistema moderno de bombagem e distribuição.

Silves, Lagoa e Portimão Exploração

Caracterização

DRAP: Algarve

Localização:
Distrito: Faro
Concelhos: Silves, Lagoa e Portimão
Freguesia: Silves, Alcantarilha, Lagoa, Porches, Estombar, Carvoeiro e Portimão
Região Hidrográfica: RH8
Bacia hidrográfica: Ribeiras do Algarve
Linha de água: Rio Arade
Carta Militar 1:25 000 nos: 595, 596 e 604

Objectivo:
Agricultura e fornecimento à indústria

Ano de conclusão: 1956
Área total de regadio do projecto: 2.300 ha
N. de beneficiários previstos: 1.482
Área em exploração: 2.300 ha
N. de beneficiários actuais: 1.465

Solos

Solos dominantes 73,01 % da área total do AH Classificação Aptidão ao regadio
Aac 14,59 Solos Incipientes - Aluviossolos Modernos, Calcários, (Para-Solos Calcários), de textura pesada 1, 2
Atl 12,90 Solos Incipientes - Aluviossolos Antigos, Não Calcários, de textura ligeira 2, (3)
Atac 9,29 Solos Incipientes - Aluviossolos Antigos, Calcários, (Para-Solos Calcários), de textura pesada 2, 1, (3)
Sr 7,55 Solos Argiluviados Pouco Insaturados - Solos Mediterrâneos, Vermelhos ou Amarelos, Materiais Não Calcários Normais, de de “rañas” ou depósitos afins 3, (4)
As 7,18 Solos Halomórficos - Solos Salinos, de Salinidade Moderada, de Aluviões, de textura mediana 3, 4 (culturas resistentes)
A 6,93 Solos Incipientes - Aluviossolos Modernos, Não Calcários, de textura mediana 1, (2)
Vac 5,48 Solos Calcários, Vermelhos dos Climas de Regime Xérico, Normais, de rochas detríticas argiláceas calcárias (de textura franco-argilosa a argilosa) 2, (3)
Aa 5,13 Solos Incipientes - Aluviossolos Modernos, Não Calcários, de textura pesada 2
Cbc 3,96 Barros Castanho-Avermelhados, Calcários, Não Descarbonatados, de basaltos ou doleritos ou outras rochas eruptivas ou cristalofílicas básicas associadas a calcário friável 2

Aptidão potencial ao regadio:
1-Elevada
2-Moderada
3-Marginal
4-Condicionada para usos restritos
6-Inaptidão total

Ocupação cultural: Pomar (constituído quase que exclusivamente por citrinos, em grande parte cultivado em consociação com outras culturas, tais como o milho e feijão), e arroz
Origem da água: Superficial
Fornecimento de água às explorações: Gravidade
Gestão: Associação de Regantes e Beneficiários de Silves, Lagoa e Portimão
Sistema tarifário: Taxa de exploração e conservação por ha beneficiado

Infra-estruturas existentes em 2008

Barragem do Arade
Altura máx. acima do leito: 42,5 m
Desenvolvimento do coroamento: 246,00 m
Capacidade útil da albufeira: 26.744.000 m3

Estação Elevatória: 1
Rede Primária de Rega: 45.746 m
Redes de Rega: 82.700 m
Central de produção de energia eléctrica: 3 (Arade, Pinheiro e Vila Fria)

Não houve qualquer intervenção no período 2000-2008 (QCA III)

Necessidades de modernização/reabilitação

— Reabilitação e modernização da rede de rega do Bloco de Lagoa
— Reabilitação e modernização da rede de rega do Bloco de Silves

Barragem do Arade — Adaptação da barragem ao RSB (Em candidatura ProDeR):

  1. Reparação dos órgãos hidráulicos (equipamento da torre de tomada
    de água e comportas do descarregador de cheias);
  2. Recuperação do sistema de drenagem interna assim como dos
    equipamentos de observação da barragem.

Observações

. Alvará de 1951-11-27, publicado no Diário do Governo n.º 283, IIª Série, de 10-12-1951.
Portaria n.º 1078/2000 (2ª Série) de 27 de Junho de 2000, publicada no D.R. n.º 171, IIª Série de 26 de Julho de 2000.
Escritura dos Estatutos da ARBSLP no Cartório Notarial de Lagoa Algarve, realizada no dia 29 de Setembro de 1998 e alterada no dia 23 de Março de 1999.
Regulamento da Obra de Rega das Campinas de Silves, Lagoa e Portimão de 18-04-1972, publicado no Diário do Governo n.º 115, IIIª Série, de 16-05-1972.
Declaração de Utilidade Pública do Plano Geral do aproveitamento das ribeiras de Odelouca e Arade, que compreende as barragens de Odelouca e do Funcho, vias de comunicação, túnel de interligação Odelouca-Funcho, a estação elevatória do Funcho e o canal de adução Funcho-Benaciate, de 06-11-1980, publicada D.R. n.º 276, IIª Série, 28-11-1980, na sequência do Despacho do Ministro Equipamento Social Ambiente de 07-01-1975, exarado sobre o parecer n.º 4674, emitido pelo Conselho Superior de Obras Públicas e Transportes em 19-12-1974.
Resolução do Conselho de Ministros n.º 48/2003, de 29 de Março de 2003, publicada no Diário da República n.º 75, Iª Série-B de 29 de Março de 2003, que ratifica o PU do Núcleo DT do Morgado da Lameira, que inclui o “Amendoeira Golf Resort”.

Aproveitamento Hidroagrícola da Várzea do Benaciate - AHVB


O Aproveitamento Hidroagrícola da Várzea do Benaciate (AHVB) localiza-se a este da cidade de Silves, abrangendo a freguesia de São Bartolomeu de Messines.

A obra foi concluída em 1995, com uma área beneficiada de 365 hectares e 377 beneficiários, destinando-se à rega de citrinos, hortícolas e outros pomares.

O fornecimento de água é assegurado por captação subterrânea através de 9 furos, distribuídos por uma rede primária de 5,8 km, rede secundária de 13,5 km e rede de drenagem de 18,2 km, complementadas por 27 km de caminhos agrícolas.
O sistema opera sob pressão, com uma estação elevatória central, e foi classificado como Obra do Grupo III pelo Despacho n.º 9550/2010, de 27 de maio, sucedendo a uma classificação anterior como Grupo II pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 125/97.

As águas subterrâneas são utilizadas para rega e, em menor escala, para abastecimento urbano. Uma vez que o sistema enfrentava necessidades de modernização, nomeadamente na reabilitação da rede de rega e dos furos de captação, e na renovação das instalações eletromecânicas, a Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural – DGADR efetuou a modernização do AH que terminou em 2022.

A gestão técnica e administrativa do AH foi concessionada à Associação de Regantes e Beneficiários de Silves, Lagoa e Portimão, no ano de 2023 que atualmente assegura a exploração integrada dos dois aproveitamento/perímetros de rega (AHSLP e AHVB).